Portugal Start-Up: Agosto 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Panorama do Mercado da Moderna Distribuição

Segundo dados da APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, a Moderna Distribuição alcançou em 2009 um Volume de Negócios total de 14 835 Milhões de Euros. Calcula-se que o mercado da distribuição (incluindo canais tradicionais) ascenda a 18 800 Milhões de Euros em Portugal.
A Moderna Distribuição (Sonae, Ferónimo Martins, Auchan, Minipreço, Lidl e E.Leclerc) tem ganho algum peso face aos canais tradicionais, sendo que os canais tradicionais mantêm a sua importancia tendo em conta que o seu peso alcança dos 25% do mercado. Segundo dados da APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Portugal continua a ser dos países europeus com mais estabelecimentos de comércio tradiciona, tendo cerca de 20 300 lojas nesta área.  
O sector da distribuição em Portugal tem níveis de concentração relativamente elevados. A quota de mercado conjunta dos 5 maiores players é de 64% (dados de 2007), sendo que a concentração aumentou nos últimos anos por via das aquisições da Sonae (compra do Carrefour), e da Jerónimo Martins (aquisição dos supermercados Plus) e de novos investimentos. A empresa com maior quota de mercado é a Sonae Distribuição com 21% de quota de mercado seguida da Jerónimo Martins com 16% e os Mosqueteiros com 11%.
Actualmente os produtos alimentares, drogaria e higiene têm um peso de 72.6% do valor das compras realizado pelos consumidores.
O mercado da distribuição tem tido uma forte evolução nos últimos anos, sendo que os consumidores têm-se tornado cada vez mais exigente. Os consumidores utilizam cada vez mais os cupões de desconto, comparam preços antre marcas antes de escolher, verificam a relação do preço por Kilo/Litro e tornaram-se mais objectivos. É também tendo em conta as novas exigências dos clientes que a empresa direcciona a sua oferta, sempre atenta às tendências do mercado.
Nesta óptica, o consumidor tem-se tornado mais racional, mais infiel às marcas e mais atraído pelas Marcas do Distribuidor ou marcas brancas, mercado onde a empresa promotora tem uma forte posição. Verifica-se que as Marcas do Distribuidor têm apresentado um crescimento médio de 20% ao ano nós últimos anos, facto que é aproveitado pela empresa também através do seu posicionamento para introdução de produtos de marca branca. Actualmente os produtos de marca branca têm um peso superior a 40% do total do mercado.
De realçar que a oferta de produtos de marca branca não se limita a produtos indiferenciados, procurados exclusivamente por clientes preocupados com o preço. Vários retalhistas em Portugal lançaram produtos gourmet e biológicos com marcas próprias, dirigidos a clientes que exigem os melhores produtos, com a melhor qualidade, mas que são, simultaneamente, sensíveis ao preço.


Para mais informações sobre o mercado da distribuição, consulte estse artigos clicando aqui.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

As TIC nas PME portuguesas



Tendo por base o inquérito à utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação nas empresas, realizado pela INE em colaboração com a UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, IP, já com dados de 2007, as TIC’s são já parte activas das empresas:
− 90% das empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço e com actividade económica em Portugal (exceptuando o sector financeiro) possuem ligação à Internet e 76% ligação em banda larga;
− 100% das grandes empresas (250 e mais pessoas ao serviço), 98% das médias empresas (50 a 249 pessoas ao serviço) e 88% das pequenas empresas (10 a 49 pessoas ao serviço) possuem ligação à Internet;
− 97% das grandes empresas (250 e mais pessoas ao serviço), 89% das médias empresas (50 a 249 pessoas ao serviço) e 74% das pequenas empresas (10 a 49 pessoas ao serviço) estão ligadas à Internet por banda larga, ocupando Portugal respectivamente o 7º (com outros quatro países), 9º e 11º lugares no ranking da UE27;
− Cerca de 7 em cada 10 empresas utilizam a Internet para interagirem com organismos, entidades e autoridades públicas, o que corresponde a um aumento de 20% de 2006 para 2007. De salientar que no preenchimento e submissão de formulários online por empresas (66%), Portugal encontra-se significativamente acima da média da UE27 (43%), ocupando o 3º lugar no ranking dos 27 Estados Membros;
− A presença na Internet é assegurada por 86% das grandes empresas, 65% das médias empresas e 38% das pequenas empresas;
− Nos sectores da Construção e do Comércio, o aumento das empresas com ligação em banda larga de 2006 para 2007 foi de 33%, e o aumento da percentagem de empresas de Construção com presença na Internet foi de 80%;
− A realização/recepção de encomendas de bens e/ou serviços através da utilização da Internet ou de outras redes electrónicas é efectuada por 49% das grandes empresas, 34% das médias empresas e 21% das pequenas empresas.

Subsiste cada vez mais, a necessidade de em todas as áreas de negócio, existir uma estratégia de Marketing, Publicidade e Comunicação.
Na actualidade, as TIC’s, são referência máxima nessa estratégia. É a nível mundial esta preocupação de acertar, de obter a forma correcta de utilizar as TIC’s e obter delas todas as vantagens.


Com as ferramentas Tecnológicas de Informação e Comunicação, e com a alteração que provocaram nos media, os conceitos de Marketing, Publicidade e Comunicação foram alterados. A comunicação entre empresas e entre estas e os seus clientes modificou-se, tornou-se mais rápida e pretende-se cada vez mais eficiente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Especulação: mito ou realidade

Esté é um artigo escrito por mim para a imprensa em 2008. Agora, três anos volvidos, continua a fazer o mesmo sentido.


Especulação: mito ou realidade

                Desde o inicio do terceiro trimestre de 2007 que a palavra subprime domina o vocabulário dos media, economistas e políticos sendo mesmo considerada a palavra do ano pela revista “The Economist”. No entanto, como desde esta data certos produtos como as mercadorias (petróleo, cereais, ouro) têm subido a um ritmo crescente e batido sucessivos máximos históricos e consequentemente aumentando os custos de produção de empresas e o custo de vida das populações para os níveis mais altos da década, existe outra palavra que assombra o léxico de financeiros e não financeiros que tentam explicar o comportamento do mercado: especulação.
                Será a especulação um dos motivos da subida dos preços das mercadorias ou esta é uma explicação anedótica?
                Sendo a economia uma ciência essencialmente especulativa que tenta medir e prever o seguimento dos fluxos económicos e seus indicadores, poderíamos dizer então que as variações dos preços dos produtos em causa são motivados pela especulação. Apesar disso estamos perante um conceito diferente de especulação quando ouvimos falar nesta: o conceito de que certos agentes financeiros compram e vendem mercadorias não para satisfazerem necessidades produtivas (como o acto de uma refinaria de petróleo comprar contratos de futuros sobre o petróleo) mas sim apenas para obterem mais-valias. Quem se apoia neste conceito de especulação diz também que parte dos preços dos produtos correspondem ao “poder” especulativo.
                No entanto existem duas teorias (teorias e não leis porque não é possível comprovar acontecimentos dos mercados financeiros através do método cientifico) que vêm refutar a alta dos preços através da especulação: a Teoria de Dow e a Teoria do Mercado Eficiente.
                A Teoria de Dow, criada por Charles Dow nos fins do século XIX, é uma teoria que aborda a movimentação de activos financeiros e serve de base para a análise técnica. Esta possui seis premissas sendo uma delas o facto de que o mercado desconta tudo: os preços dos activos financeiros e mercadorias rapidamente incorporam nova informação assim que esta está disponível. Assim, os preços reflectem todos e quaisquer factores que afectem a oferta e procura do activo subjacente. Esta dinâmica processa-se através da oferta ou procura que existe por parte dos intervenientes sabedores dos novos factos e supõe que todos os intervenientes têm acesso á informação (não existem insiders). A suportar a teoria de Dow está a Teoria do Mercado Eficiente, desenvolvida pelo Professor Eugene Fama da Universidade de Chicado em 1960. Sabendo que preços dos produtos financeiros reflectem a informação disponível, então os investidores não devem esperar que seja normal obter rendibilidades acima da rendibilidade correspondente ao nível de risco assumido. As contrapartes não devem esperar receber mais do que o justo valor pelos produtos que compram e vendem isto é, os preços existentes a um dado momento, num dado mercado, são os preços justos e não preços com especulação incorporada. Tal coisa não existe.
                Aproveitando o exemplo do preço do petróleo (que tem vindo a bater máximos consecutivos) e sabendo que este é um mercado altamente liquido que transacciona diariamente um volume de 8 biliões de dólares é também de esperar que este seja altamente eficiente e que os seus preços incorporem toda a informação contida nos preços passados, toda a informação publicamente disponível e até informação mais privilegiada, sendo assim bastante difícil a sua manipulação. Consequentemente, os sucessivos recordes do preço do petróleo são apenas explicados por factos como o equilíbrio entre o crude produzido e consumido não permitir a criação de reservas para fazer frente a uma diminuição da oferta inesperada, a instabilidade politica dos países produtores como o Irão e a Nigéria, a queda do dólar que torna a compra de crude mais barata, o crescimento económico da China e Índia onde centenas de milhares de pessoas passaram recentemente a consumir mais (a China representa 15% do consumo mundial de energia, mais 8% que em 2005 como constatou o “chief economist” da BP, Peter Davis) e ainda outras tantas centenas de noticias com mais ou menos relevância.
                Tendo em conta estes factos, haverá ainda espaço para a especulação?


Henrique Pedro, 1 de Junho de 2008.
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